
Era uma manhã de verão um tanto quanto fria e incomum. Eu andava pelo shopping analisando cada rosto desconhecido que passava por mim, as expressões eram quase sempre as mesmas, todos pareciam indiferentes, em alguns eu pude notar a tristeza, em poucos a felicidade, vi também um pai bravo com a filha que havia se sujado de comida, uma menina chorando vendo um garoto partir, provavelmente o ex-namorado.
Resolvi ir ao cinema assistir ao filme de romance que estava em cartaz fazia alguns dias e eu ainda não assistira. O mocinho, a mocinha e o renegado (pela mocinha), claro que eu torcia para que os mocinhos terminassem juntos, mas ao mesmo tempo sentia compaixão pelo menino renegado, acho que me identifiquei sabe? Sei bem o quanto ele sofreu vendo seu amor envolvida nos braços do outro.
Eu tinha uma história tragicamente parecida, mas vendo a cena lembrei da menina chorando que eu vira a pouco tempo atrás, tive vontade de sair naquele mesmo momento da sala lotada onde passava o filme e consolar a pobre garota. Me contive.
Olhei ao redor e todos choravam, me senti completamente insensível e quis que aqueles que me olhavam incrédulos com os meus olhos secos pudessem intender que as circunstancias me tornaram essa pessoa fria que sou.
O romance acabou e ninguém saiu de seu lugar, mas eu não aguentava mais ficar ali sentada e saí as pressas da sala, não me sentia bem e não sabia o porque.
Lembrei dos rostos inexpressivos e indiferentes que vi e julguei quando cheguei ao shopping, horas atrás eu havia os criticado mentalmente, não podia entender por exemplo como a “patricinha” podia não estar feliz com uma vida perfeita, mas quem disse que ela tinha a vida perfeita? E eu? Por que me queixava tanto da minha vida?
Claro, tenho meus problemas, porém tenho várias coisas boas acontecendo na minha vida também, o verdadeiro problema era que ao meu ver os obstáculos eram muito maiores e importantes que as conquistas, o que não é certo.
Entrei no carro e liguei o rádio, a letra da música que tocava, retratou exatamente o que percebi, tardiamente. Durante todo o trajeto fui pensando mais no assunto e acabei me distraindo do resto do mundo. Será que quando as pessoas me olhavam viam o rosto indiferente de alguém mal agradecida?
Procurei me lembrar de todos os momentos de minha vida e decretei finalmente que eu tinha sim motivos para ser feliz.